terça-feira, 1 de julho de 2008

Como descartar material perfurocortante?

Acompanhe passo-a-passo os procedimentos regulamentados pela Fiocruz para realizar com segurança o descarte destes materiais

Os materiais perfurocortantes – todos os objetos e instrumentos contendo cantos, bordas, pontos ou protuberâncias rígidas e agudas capazes de cortar e perfurar ao mesmo tempo – precisam de descarte especial para que não tragam riscos ao ambiente, ao usuário e nem comprometam a biossegurança do experimento. O descarte deste tipo de material é tema do Procedimento Operacional Padrão (POP) número 10, de dezembro de 2002, publicado pela Vice-Presidência de Serviços de Referência e Ambiente (VPSRA) da Fiocruz.

Segundo as legislações sanitárias e ambientais, os objetos perfurocortantes incluem lâminas de barbear, bisturis, agulhas, escalpes, ampolas de vidro, vidrarias, lancetas e outros assemelhados, contaminados ou não por agentes químicos ou biológicos. Cabe aos profissionais que atuam em cada laboratório do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) a segregação (separação), identificação e pré-tratamento de todos os resíduos gerados. Acompanhe abaixo um passo-a-passo com as especificações do POP que regulamenta as diferentes etapas do descarte de perfurocortantes na Fiocruz:


















Após o uso, o material perfurocortante deve ser imediatamente depositado nas caixas de descarte, que devem ficar localizadas o mais próximo possível do local de uso.



PASSO A PASSO para o descarte seguro de perfurocortantes:

1a Etapa: Segregação

Esta etapa inicial consiste na separação ou seleção apropriada dos resíduos, realizada dentro do próprio laboratório. Neste momento, os materiais podem ser classificados nas seguintes categorias: Grupo A (resíduos biológicos), Grupo B (resíduos químicos), Grupo C (radioativos), Grupo D (comuns como papéis) e Grupo E (perfurocortantes).

Neste momento, é importante observar as seguintes recomendações:

  1. Não quebrar, entortar ou recapear agulhas ou qualquer material perfurocortante após o uso;
  2. Não é permitido retirar manualmente a agulha da seringa. Caso seja indispensável, a sua retirada só é permitida utilizando-se procedimento mecânico;
  3. No caso das seringas de vidro, é necessário levar a seringa juntamente com a agulha para efetuar o processo de descontaminação;
  4. É necessário descartar o material perfurocortante em recipientes de paredes rígidas, com tampa e resistentes à esterilização. Estes recipientes, disponíveis no estoque do almoxarifado central (código 322), deverão estar localizados tão próximo quanto possíveis da área de uso destes materiais;
  5. Os recipientes devem ser identificados com etiquetas autocolantes, contendo as seguintes informações:
    • laboratório de origem, técnico responsável e data do descarte;
    • inscrição de material perfurocortante;
    • inscrição de acordo com a sua contaminação;
    • símbolo de risco biológico, se a contaminação for biológica;
    • resíduo químico, se a contaminação for química;
  6. Os recipientes devem ser preenchidos somente até dois terços de sua capacidade, não podendo ser esvaziados ou reaproveitados.

2a Etapa: Tratamento preliminar

Segundo o Plano de Gerenciamento de Resíduos da Fiocruz, o tratamento preliminar consiste na descontaminação dos resíduos (desinfecção ou esterilização) por meios físicos ou químicos, que permite o seu manuseio desses resíduos até a sua disposição final sem oferecer risco quando coletados e transportados.

A seguir, acompanhe os procedimentos de tratamento preliminar específicos para materiais contaminados por agentes químicos ou biológicos:

  1. Caso o material seja contaminado por agentes biológicos, o coletor contendo os perfurocortantes deverá ser colocado dentro de sacos de biossegurança, disponíveis no estoque do almoxarifado central (códigos 21516 ou 21562), para depois ser esterilizado por calor úmido, respeitando o ciclo total de 62 minutos, a 121º C (ou 250º F), pressão de atmosfera (101 kPa, 151 Lb/in2 acima da pressão atmosférica), com 7 minutos de pré-vácuo, 25 minutos de aquecimento, 15 minutos de esterilização e 15 minutos de resfriamento [fotos abaixo];
  2. Caso o material seja contaminado por produtos químicos, deverá ser descontaminado quimicamente, antes do descarte (conforme normas de descarte de resíduos químicos orgânicos e inorgânicos).






A caixa de descarte deve ser fechada e manipulada pelas alças. No caso de contaminação por agentes biológicos, a caixa de descarte deve ser acondicionada dentro de saco de biossegurança.


3a Etapa: Descarte

Após a autoclavação, os resíduos biológicos deverão ser colocados nas lixeiras brancas, com tampas, devidamente identificadas com o símbolo de “risco biológico” e devem ser descartados como lixo hospitalar.

Um comentário:

Henare disse...

É obrigatorio um Hospital acolher material perfurocortante, quando levado até o local, em virtude de já possuir formas adequadas para descarte?????